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A importância de priorizar o conteúdo em apresentações e pal

Especialista reflete sobre o erro comum de palestrantes que dedicam tempo excessivo ao próprio currículo em vez de focar na entrega de valor para o público.

Especialista reflete sobre o erro comum de palestrantes que dedicam tempo excessivo ao próprio currículo em vez de focar na entrega de valor para o público.

A virtude, quando genuína, não necessita de autoafirmação verbal. A percepção das qualidades de um indivíduo deve ocorrer de forma natural, sem a necessidade de que ele próprio as anuncie constantemente. Esse princípio é fundamental em diversas esferas da vida, inclusive no ambiente profissional das palestras e apresentações públicas.

Considere o cenário de um ouvinte que decide abdicar de outros compromissos para comparecer a uma palestra aguardada. A motivação principal desse indivíduo é o aprendizado e a oportunidade de refletir sobre os temas que serão abordados. A expectativa é de que o tempo seja investido na transmissão de conhecimento.

No entanto, é comum observar situações em que o palestrante, mesmo possuindo um currículo notável e vasta experiência, desperdiça uma parcela significativa do tempo disponível — por vezes mais de 30 minutos de uma apresentação de uma hora — para detalhar sua trajetória. Ao listar minuciosamente formações, publicações, viagens e conquistas, o orador acaba sacrificando o tempo que deveria ser dedicado ao conteúdo central.

Como resultado, o palestrante se vê forçado a acelerar a exposição ou até mesmo excluir tópicos essenciais do cronograma original. O sentimento gerado no público é, invariavelmente, de decepção. Os ouvintes, que já conheciam a trajetória do profissional antes mesmo de chegarem ao evento — dado que essas informações geralmente constam no material de divulgação —, esperam uma mensagem relevante, não uma exaltação de méritos pessoais.

Para quem assume o papel de orador, a atenção a esse detalhe é crucial para evitar a frustração da audiência. Além disso, o próprio palestrante pode se sentir insatisfeito ao perceber que não conseguiu transmitir todo o conteúdo planejado por ter se perdido em relatos sobre si mesmo.

Caso haja a necessidade de mencionar o histórico profissional, a recomendação é que isso não ultrapasse cinco minutos. A sutileza é a chave para evitar que a exposição seja interpretada como arrogância. Uma alternativa eficaz é realizar uma síntese breve na abertura e, se necessário, inserir informações complementares de forma pontual ao longo da fala.

Outro ponto que frequentemente gera desconforto entre os ouvintes é o uso excessivo de histórias pessoais e causos. Embora tais recursos possam ser úteis como ferramentas didáticas, eles jamais devem se tornar o núcleo da apresentação. O foco deve permanecer na substância do tema proposto.

Para garantir uma entrega de qualidade, é indispensável que o palestrante se organize por meio de um cronograma estruturado, contendo introdução, desenvolvimento detalhado e conclusão. Cada etapa deve ter um tempo estimado para sua execução, assegurando que o conteúdo seja transmitido de maneira organizada e concatenada.

Em última análise, o convite é para que os oradores reflitam sobre a gestão do tempo e priorizem o que realmente importa para o público. A mensagem deve ser o centro das atenções, e não os méritos de quem a profere. Ser bom, afinal, é uma qualidade que se sustenta por si só, sem a necessidade de autopropaganda.

Francisney Liberato é auditor do Tribunal de Contas de Mato Grosso e escritor.

Fonte: midianews.com.br