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A importância do voto: um exercício de cidadania universal,

O voto é um pilar da democracia brasileira. Relembrar a trajetória histórica das eleições ajuda a compreender o valor desse ato de liberdade e responsabilidade

O voto é um pilar da democracia brasileira. Relembrar a trajetória histórica das eleições ajuda a compreender o valor desse ato de liberdade e responsabilidade social.

À medida que o período eleitoral se aproxima, é natural que o ato de votar desperte emoções profundas. Desde a primeira experiência nas urnas, o voto é visto como um momento de grande significado: uma declaração de compromisso com o país, uma manifestação de fé na democracia e uma ferramenta pacífica para promover mudanças na sociedade. Esse exemplo, transmitido entre gerações, reflete a luta histórica da humanidade contra a opressão e a tirania.

Não se trata de qualquer forma de sufrágio, mas daquele conquistado após o fim da ditadura militar de 1964 e consolidado pela Constituição de 1988: o voto universal, direto e secreto. O caráter universal garante que o direito de escolha seja acessível a todos os brasileiros, sem distinções. No passado, o cenário era bem diferente. Durante o Brasil Imperial, o sistema era censitário, permitindo o voto apenas a quem possuísse rendas elevadas, conforme estipulado na Carta de 1824, imposta por Pedro I após o fechamento da Assembleia Constituinte.

A evolução para a inclusão plena foi lenta. As mulheres só conquistaram o direito ao voto em 1932, durante o governo provisório de Getúlio Vargas. Já os analfabetos, que representavam cerca de 25% da população adulta na época da redemocratização em 1985, foram integrados ao processo eleitoral apenas naquele momento. Hoje, embora representem uma parcela menor da população, sua participação é fundamental para a legitimidade das decisões políticas.

O princípio do voto direto assegura que o cidadão escolha seus representantes — presidente, governadores, prefeitos e parlamentares — sem intermediários. Historicamente, o país enfrentou sistemas indiretos, como no período imperial, onde eleitores de paróquia escolhiam colégios eleitorais, e durante a ditadura militar, quando cargos executivos e parte do Senado eram definidos por vias indiretas. Foi a Constituição de 1988 que estabeleceu, de forma definitiva, o sufrágio direto em todas as esferas.

Já o sigilo do voto é o que garante a independência do eleitor, protegendo-o de pressões, ameaças ou retaliações. No Brasil Imperial, o voto era público e oral, registrado em atas controladas por grandes proprietários de terras, o que tornava o eleitor vulnerável. Na República Velha, o cenário mudou para o chamado "voto de cabresto", onde chefes políticos locais forneciam cédulas preenchidas, eliminando a liberdade de escolha.

A criação da Justiça Eleitoral e a instituição do voto secreto em 1932, por Getúlio Vargas, representaram um avanço decisivo, ainda que não tenham eliminado imediatamente todas as fraudes e pressões. Esse progresso é parte da história de muitas famílias brasileiras. Exemplos como o de Domingos Machado de Lima, que atuou na política catarinense após a Revolução de 1930, ou de Porthos Augusto de Lima, líder estudantil que viveu as restrições impostas pela ditadura de 1964, ilustram a importância de preservar esses direitos.

Para as novas gerações, manter vivo o valor do voto é um dever cívico. O momento diante da urna eletrônica é uma oportunidade de honrar aqueles que lutaram pela liberdade e de assumir a responsabilidade pelo futuro do país. O voto consciente permanece como o caminho mais eficaz para alcançar ideais de igualdade, fraternidade e justiça social.

Que este período eleitoral seja marcado pelo respeito e pela clareza. Deseja-se uma campanha ética aos candidatos e um exercício consciente do voto a todos os cidadãos brasileiros, que, juntos, definem os rumos da nação.

Fonte: midianews.com.br