Comissão Europeia e OTAN articulam resposta a ataques híbrid
Líderes europeus e da OTAN reúnem-se em Bruxelas para discutir a escalada de ações de sabotagem e guerra híbrida atribuídas à Rússia, após incidente com drone e
Líderes europeus e da OTAN reúnem-se em Bruxelas para discutir a escalada de ações de sabotagem e guerra híbrida atribuídas à Rússia, após incidente com drone em Leipzig.
Representantes da Comissão Europeia e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) têm encontro agendado em Bruxelas para esta quarta-feira. A pauta central é a resposta coordenada a uma série de incidentes de guerra híbrida registrados na Europa durante o verão, com destaque para a tentativa de ataque com drones no aeroporto de Leipzig, ação formalmente atribuída pelo governo alemão à Rússia.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, confirmou que utilizará a reunião com o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, para debater o caso alemão. A expectativa é que os ministros das Relações Exteriores do bloco iniciem a preparação de um novo pacote de sanções. Em declaração publicada na rede social X, Von der Leyen enfatizou a unidade da União Europeia frente a atos graves e crescentes, sublinhando que o governo da Alemanha adotou medidas firmes e que ataques híbridos não ficarão sem uma resposta clara.
A reunião, classificada como de última hora, foi confirmada pela porta-voz da Comissão, Paula Pinho, e visa fortalecer a cooperação em defesa entre a Europa e a Aliança Atlântica. Um representante da OTAN afirmou que o foco principal será o aprofundamento da coordenação contra ameaças híbridas. Após a confirmação da responsabilidade russa pelo incidente de 4 de agosto, Rutte manifestou total solidariedade a Berlim, reforçando que as evidências são claras e que a OTAN seguirá ampliando sua capacidade de dissuasão contra ações maliciosas.
O ministro do Interior alemão, Alexander Dobrindt, detalhou que os dispositivos utilizados na sabotagem de agosto possuem características técnicas já identificadas em outras operações híbridas russas e no conflito na Ucrânia. Em resposta, a Alemanha determinou o fechamento do consulado russo em Bona e da Casa da Rússia em Berlim. O deputado Johann Wadephul classificou o episódio como parte de uma sequência prolongada de desestabilização, desinformação e agressão contra o continente europeu.
A embaixada russa na Alemanha negou as acusações e ameaçou com represálias caso novas sanções sejam implementadas. O incidente em Leipzig envolveu a queda de um drone na zona de segurança do aeroporto, próximo a uma aeronave de carga ucraniana, seguido por uma segunda colisão que impediu o pouso de outro avião. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia condenou a atribuição de culpa, alegando que as conclusões foram precipitadas antes do encerramento das investigações.
Kaja Kallas, responsável pela política externa da UE, alertou que a Rússia tem intensificado incidentes cinéticos híbridos com o objetivo de intimidar o bloco e reduzir o apoio à Ucrânia. Durante reunião na Irlanda, Kallas admitiu que os riscos estão em ascensão e que as medidas atuais de prevenção ainda são insuficientes. A ministra irlandesa Helen McEntee reforçou que a pressão sobre Moscou permanece como prioridade, citando relatos recentes de incursões aéreas e territoriais na Romênia, Letônia e Estônia.
O ministro da Defesa da Estônia, Hanno Pevkur, advertiu que a Europa deve se preparar para novos episódios, observando que a Rússia testa constantemente os limites das chamadas linhas vermelhas. Em paralelo, líderes como Emmanuel Macron, da França, e Giorgia Meloni, da Itália, manifestaram apoio incondicional à Alemanha, defendendo sanções europeias e uma resposta unificada contra tentativas de divisão entre aliados.
O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, e o premiê sueco, Ulf Kristersson, também se posicionaram, afirmando que a estratégia russa de intimidação não terá sucesso. O presidente lituano, Gitanas Nausėda, reforçou que qualquer ação híbrida contra um membro da aliança terá um custo elevado para o agressor. Por fim, o ministro das Relações Exteriores de Portugal, Paulo Rangel, anunciou que o governo português convocará o embaixador russo para prestar esclarecimentos, prevendo a adoção de medidas adicionais de segurança cibernética e proteção do espaço aéreo. Fonte: pt.euronews.com