Bab el-Mandeb: Houthis tomam ilha e controlam estreito vital
Rebeldes houthis assumem controle estratégico do estreito de Bab el-Mandeb após capturar ilha iemenita. Entenda os impactos no mercado global. Confira agora.
Os rebeldes houthis, grupo apoiado pelo Irã, consolidaram na última sexta-feira o controle sobre o estreito de Bab el-Mandeb. A manobra ocorreu após a captura da ilha de Mayyun, uma posição estratégica situada no centro desta via marítima fundamental no Mar Vermelho. Relatos de autoridades locais e testemunhas confirmam a retirada das forças governamentais da região.
Impacto da conquista houthi em Bab el-Mandeb
A ilha de Mayyun, também conhecida como Perim, possui relevo vulcânico e divide o ponto mais estreito do canal em duas rotas de navegação distintas. Segundo fontes que preferiram o anonimato, combatentes armados chegaram ao local em embarcações logo após a saída das tropas oficiais. Além disso, homens armados foram vistos patrulhando a costa e circulando em veículos militares pela área.
Esta ofensiva faz parte de uma investida rápida que também resultou na tomada da cidade portuária de Mokha e da ilha de Zuqar. O grupo utilizou ataques com foguetes e incursões terrestres para subjugar as defesas governamentais. Imagens que circulam na internet sugerem que os rebeldes apreenderam um volume expressivo de armamentos e suprimentos deixados para trás.
O controle sobre esta rota marítima gera preocupações globais significativas, visto que o estreito é um dos pontos mais críticos para o tráfego de mercadorias. Os principais pontos de atenção incluem:
O estreito de Bab el-Mandeb e o de Hormuz movimentam mais de 25% do comércio mundial de petróleo. Cerca de um terço de todo o tráfego global de contêineres passa pelo Mar Vermelho. Relatos indicam planos dos houthis para cobrar taxas de passagem, aumentando a pressão econômica internacional. O governo do Iémen, reconhecido internacionalmente, já havia alertado sobre as intenções dos rebeldes em relação à via, cujo nome em árabe significa "Porta das Lágrimas". Os houthis, formalmente denominados Ansar Allah, ascenderam ao poder em 2014 após a tomada de Sanaá. O grupo integra o chamado Eixo da Resistência, rede apoiada pelo Corpo de Guardas da Revolução Islâmica do Irã.
A escalada do conflito intensificou-se após o reatamento das hostilidades em julho, quando o espaço aéreo iemenita foi desafiado por aeronaves iranianas. Em resposta, a Arábia Saudita iniciou bombardeios e os houthis declararam um bloqueio ao comércio de petróleo do reino. A situação provocou uma alta nos preços do barril de petróleo, que superaram a marca de 100 dólares na última quinta-feira.
Diplomaticamente, a Arábia Saudita busca alternativas, tendo assinado acordos de defesa com a Turquia e o Paquistão. Contudo, a efetividade de tais pactos permanece incerta, com autoridades paquistanesas enfatizando o caráter defensivo da aliança. Enquanto isso, o governo dos Estados Unidos mantém uma postura cautelosa, evitando novas intervenções diretas devido ao seu próprio envolvimento em conflitos regionais.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irã, por sua vez, defendeu a soberania iemenita e criticou bloqueios ou alianças militares como solução para a crise. Paralelamente, surgiram informações sobre o envio de conselheiros militares iranianos para auxiliar os houthis, embora tais alegações não tenham sido verificadas de forma independente. Para mais atualizações sobre o cenário geopolítico, acompanhe as últimas notícias .
O líder do conselho de governação do Iémen, Rashad al-Alimi, apelou recentemente por apoio internacional para proteger as costas do país. Ele ressaltou que a restauração do controle estatal sobre portos e águas territoriais é um interesse compartilhado por nações árabes e pela comunidade global. Desde o início da semana passada, os confrontos resultaram em mais de 500 mortes, majoritariamente de combatentes envolvidos no conflito.
Fonte: pt.euronews.com