Nepal e China contabilizam mais de 2.400 desaparecidos; UNIC
Catástrofe causada pelo colapso de um glaciar deixou centenas de mortos e milhares de desaparecidos. UNICEF estima que 17 mil crianças precisam de ajuda urgente
Catástrofe causada pelo colapso de um glaciar deixou centenas de mortos e milhares de desaparecidos. UNICEF estima que 17 mil crianças precisam de ajuda urgente.
O cenário de destruição no Nepal e na China tornou-se ainda mais crítico nesta sexta-feira, com o número de pessoas desaparecidas ultrapassando a marca de 2.400. A tragédia, comparada a um tsunami de lama e detritos, devastou aldeias inteiras e já resultou na confirmação de 586 mortes, com corpos sendo localizados inclusive em território indiano, arrastados pela força das águas.
A elevação drástica nas estatísticas de desaparecidos ocorreu após a autoridade de gestão de desastres do Nepal incluir 933 trabalhadores de usinas hidrelétricas na lista oficial, que já contava com montanhistas e peregrinos que se dirigiam ao monte Kailash, no Tibete. Em Katmandu, hospitais estão lotados de familiares em busca de notícias, exibindo cartazes com fotos e nomes de entes queridos em um clima de profunda angústia.
Samjhana Thing, de 27 anos, expressou o desespero de muitas famílias ao relatar que, após três dias, não há qualquer informação sobre o paradeiro de seu irmão. O Serviço Geológico dos Estados Unidos identificou que o desastre, o mais grave no Nepal desde o terremoto de 2015, foi desencadeado pelo colapso de um glaciar, gerando um fluxo massivo de detritos gelados.
A situação permanece instável devido à formação de grandes lagos de detritos, que representam um risco contínuo para as equipes de resgate. A polícia nepalesa chegou a ordenar a evacuação imediata de socorristas após relatos de que uma barragem teria cedido no lado tibetano. Na China, as operações em Gyirong foram temporariamente suspensas devido ao perigo de novas inundações, embora as autoridades tenham informado posteriormente que a ameaça diminuiu e os trabalhos foram retomados de forma ordenada.
O presidente chinês, Xi Jinping, manifestou apoio às operações de socorro no Nepal. Enquanto isso, militares nepaleses concentram esforços em resgatar pessoas presas no túnel do projeto hidrelétrico Trishuli 3A. O porta-voz do exército, Raja Ram Basnet, destacou a dificuldade da operação, que exige o uso de helicópteros para localizar as entradas dos túneis, mesmo após a retirada bem-sucedida de cerca de 350 trabalhadores e moradores da região.
Relatos de sobreviventes, como o de Buddha Tamang, descrevem a velocidade aterradora com que a catástrofe atingiu as estruturas. Tamang sobreviveu por estar dentro de um túnel no momento da cheia, enquanto colegas que trabalhavam do lado de fora foram arrastados pela correnteza. Ele foi resgatado de helicóptero após passar mais de 24 horas isolado.
A assistência humanitária começou a chegar aos centros de apoio montados pelo exército, mas a escassez de alimentos e água potável ainda é um desafio grave. A UNICEF informou que pelo menos 17.000 crianças necessitam de ajuda imediata, com o registro de 18 escolas destruídas e outras 20 danificadas. A agência trabalha para localizar e reunificar menores que se perderam de suas famílias durante o desastre.
A Cruz Vermelha Internacional estima que aproximadamente 93.000 pessoas foram diretamente impactadas pela tragédia e dependem de auxílio urgente. Em resposta, a União Europeia anunciou um pacote de 2 milhões de euros para o Nepal. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o recurso será destinado a fornecer assistência vital às comunidades mais atingidas pela catástrofe.
Fonte: pt.euronews.com