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O absurdo dá voto: de quem é a responsabilidade? | Análise

O absurdo dá voto? Entenda como a estratégia de ataques e medo nas campanhas eleitorais molda o comportamento do eleitor. Confira agora a análise.

o absurdo dá voto — O início do horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão trouxe à tona um cenário desolador. Atualmente, temas cruciais como saúde, educação, economia e segurança pública foram deixados de lado. Em vez de debates propositivos, o espetáculo político atual prioriza ataques a adversários e a disseminação do medo.

Muitos candidatos admitem, nos bastidores, que seus discursos são exagerados ou até mesmo indefensáveis. Contudo, justificam a estratégia com uma frase recorrente: o absurdo dá voto . Essa lógica levanta um questionamento urgente sobre a saúde da nossa democracia.

O absurdo dá voto e a crise na política

É necessário analisar se a culpa recai apenas sobre os políticos ou se existe uma parcela do eleitorado que valoriza o conflito. A Psicologia Social oferece pistas importantes sobre esse comportamento. O eleitor, muitas vezes, não decide seu voto de forma puramente racional.

Fatores como medo, ressentimento e o sentimento de pertencimento a grupos influenciam diretamente as escolhas. Estudos de pensadores como Daniel Kahneman e a teoria de Tajfel e Turner explicam como a lógica do "nós contra eles" se estabelece. Dessa forma, derrotar o inimigo torna-se mais gratificante do que buscar melhorias reais para a própria vida.

A política, originalmente, deveria ser um instrumento voltado ao bem comum. A mentira sistemática destrói a percepção da realidade social. Campanhas negativas focam em assustar o eleitor em vez de convencer.

Além disso, fabricar um inimigo exige muito menos esforço do que planejar políticas públicas complexas. Enquanto a apresentação de propostas exige números e competência, a agressividade requer apenas um microfone. Portanto, a eleição acaba selecionando quem provoca menos medo em um ambiente artificialmente aterrorizante.

Existe, de fato, um mercado do absurdo que recompensa comportamentos destrutivos. Se a humilhação de adversários gera aplausos, especialistas em ataques surgirão naturalmente. O eleitor, ao recompensar esse tipo de postura, acaba incentivando a manutenção de um ciclo de mediocridade.

Como resultado, observamos uma aberração democrática onde problemas reais são ignorados em favor de fantasmas ideológicos. O cidadão comemora a derrota do adversário em um vídeo curto, enquanto a escola do bairro continua sem melhorias e o saneamento básico permanece precário. Para mais análises, acompanhe a nossa categoria de política.

Em última análise, o voto não serve apenas para escolher representantes. Ele também ensina aos políticos qual tipo de conduta é premiada nas urnas. Se a maldade e a mentira forem validadas pelo eleitorado, não devemos nos surpreender quando os vencedores governarem reproduzindo exatamente essas práticas.

Fonte: midianews.com.br