Polícia prende 'Sarinha da Toyota' por suspeita de envolvime
Vitória Sara Bezerra Lupatini, conhecida como 'Sarinha da Toyota', foi detida em Sorriso sob acusação de participar de um esquema que movimentou R$ 50 milhões.
Vitória Sara Bezerra Lupatini, conhecida como 'Sarinha da Toyota', foi detida em Sorriso sob acusação de participar de um esquema que movimentou R$ 50 milhões.
Vitória Sara Bezerra Lupatini, amplamente conhecida como "Sarinha da Toyota" , foi presa na tarde desta quinta-feira (27) no município de Sorriso, localizado a 420 km de Cuiabá. A detenção ocorreu no âmbito da Operação Pátio Paralelo , deflagrada pela Polícia Civil na última quarta-feira (26) para desarticular um esquema criminoso voltado ao desvio de veículos, fraudes comerciais, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
Segundo informações obtidas, a suspeita se apresentou voluntariamente à delegacia na companhia de um advogado, momento em que o mandado de prisão foi cumprido. As autoridades apontam Vitória como uma peça central na engrenagem do suposto esquema, atribuindo a ela funções estratégicas como a captação de clientes, a condução de negociações, o recebimento de automóveis e a gestão de contas bancárias para o recebimento de valores ilícitos.
A investigação, conduzida pelo Núcleo de Combate ao Crime de Estelionato e Lavagem de Dinheiro da Delegacia Municipal de Sorriso, teve início após a detecção de irregularidades financeiras e comerciais dentro de uma concessionária local. O grupo teria utilizado a estrutura e a reputação da empresa para atrair clientes durante um período de aproximadamente um ano, movimentando, segundo estimativas, cerca de R$ 50 milhões.
Até o momento, além da própria concessionária, que figura como a principal vítima, a polícia identificou entre 15 e 20 clientes lesados. O prejuízo financeiro já contabilizado supera a marca de R$ 2 milhões, montante que deve crescer à medida que as diligências avancem e novas vítimas sejam localizadas.
O modus operandi do grupo consistia em receber veículos usados como parte do pagamento na aquisição de novos carros. No entanto, em vez de processar a entrada conforme o fluxo comercial regular, os suspeitos desviavam esses automóveis para garagens vinculadas à organização criminosa. Além disso, os pagamentos feitos pelos clientes eram direcionados para contas bancárias de terceiros, pessoas físicas e jurídicas, visando ocultar a origem do dinheiro.
Para conferir uma aparência de legalidade aos recursos, os investigados utilizavam empresas de fachada e uma rede complexa de contas bancárias. A operação resultou na expedição de mais de 20 ordens judiciais, incluindo um mandado de prisão preventiva, sete de busca e apreensão, nove de afastamento de sigilo bancário e cinco de bloqueio de ativos financeiros.
A Justiça autorizou a apreensão de diversos dispositivos, como celulares, computadores, notebooks e HDs, além de documentos e contratos que possam comprovar as fraudes. O afastamento dos sigilos bancário, fiscal e telemático foi concedido para permitir que os investigadores reconstruam o fluxo financeiro e identifiquem o destino final dos valores desviados.
Como medida cautelar patrimonial, foi determinado o bloqueio de ativos e o sequestro de bens até o limite de R$ 2 milhões, além da apreensão de veículos que possuam vinculação com as infrações. O nome da operação, Pátio Paralelo , faz alusão direta ao desvio dos veículos entregues pelos clientes, que eram retirados do fluxo legítimo da concessionária para um circuito comercial clandestino.
As investigações seguem em curso para determinar a destinação final dos bens e do capital, bem como para verificar a possível participação de outros indivíduos ou empresas no esquema criminoso.
Fonte: rdnews.com.br