Dia a Dia Sinop

Ratko Mladić, conhecido como o 'carrasco da Bósnia', morre a

O ex-líder militar sérvio-bósnio, condenado por crimes de guerra e genocídio, faleceu em um hospital prisional em Haia enquanto cumpria pena de prisão perpétua.

O ex-líder militar sérvio-bósnio, condenado por crimes de guerra e genocídio, faleceu em um hospital prisional em Haia enquanto cumpria pena de prisão perpétua.

Ratko Mladić, ex-comandante militar sérvio-bósnio e criminoso de guerra condenado, faleceu aos 84 anos em um hospital prisional localizado em Haia. A informação foi confirmada pela emissora pública sérvia RTS. Mladić era amplamente reconhecido como um dos nomes mais notórios dos conflitos nos Balcãs, tendo recebido a alcunha de “Carrasco da Bósnia” devido à sua atuação direta no genocídio de Srebrenica, ocorrido em 1995 durante a Guerra da Bósnia.

O Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPIJ) sentenciou Mladić à prisão perpétua, responsabilizando-o por transformar grandes extensões do território bósnio em palcos de massacres sangrentos ao longo da década de 1990. Entre as acusações que levaram à sua condenação, destaca-se o genocídio relacionado às execuções sumárias de mais de 8 mil bósnios muçulmanos em Srebrenica, em julho de 1995. As atrocidades, perpetradas pelo exército sérvio da Bósnia sob sua liderança, são classificadas como o pior episódio de violência na Europa desde o término da Segunda Guerra Mundial.

O contexto do conflito remonta ao início de 1992, quando a Bósnia declarou sua independência da Iugoslávia, seguindo os passos da Eslovênia e da Croácia. Naquele momento, líderes sérvios bósnios, contando com o suporte do governo de Belgrado, então chefiado por Slobodan Milošević, estabeleceram um Estado paralelo. Mladić, que era um oficial de carreira do exército iugoslavo e possuía experiência prévia em combates na Croácia, assumiu o comando da ofensiva militar que visava a limpeza étnica de áreas ocupadas por bósnios muçulmanos e croatas.

Além do genocídio, Mladić teve uma participação central no cerco a Sarajevo, que se estendeu por vários anos e é considerado o mais longo cerco a uma capital na história da guerra moderna. Posicionadas nas colinas que circundavam a cidade, as unidades sob seu comando mantiveram uma rotina implacável de bombardeios e ataques de franco-atiradores contra a população civil entre o início de 1992 e o final de 1995.

O cerco à capital bósnia teve seu encerramento formal em fevereiro de 1996, processo que culminou na reintegração de bairros que estavam sob controle sérvio. Nessas regiões, as tropas lideradas por Mladić haviam promovido campanhas sistemáticas de terror, perseguição e expulsões forçadas. Mesmo após o TPIJ ter emitido a primeira acusação formal contra ele em julho de 1995, Mladić permaneceu à frente do Estado-Maior do exército sérvio da Bósnia até ser destituído do cargo em novembro de 1996.

Após seu afastamento, o ex-comandante tornou-se um fugitivo da justiça internacional. Ele viveu na clandestinidade por 15 anos, contando com o auxílio de contatos dentro das forças armadas e dos serviços de inteligência, até ser finalmente capturado em 2011, enquanto se escondia na residência de um parente na Sérvia.

Nos anos finais de sua vida, o estado de saúde de Mladić apresentou um declínio progressivo. Segundo relatos de familiares, o ex-militar sofreu diversos acidentes vasculares cerebrais, o que contribuiu para a deterioração de sua condição física enquanto cumpria sua sentença no sistema prisional internacional.

Fonte: pt.euronews.com