Sabatina da Aprosoja-MT é marcada por embate entre Wellingto
Candidatos ao Governo de Mato Grosso debateram questões fundiárias e ambientais em evento da Aprosoja-MT, com trocas de farpas sobre a criação de APAs no estado
Candidatos ao Governo de Mato Grosso debateram questões fundiárias e ambientais em evento da Aprosoja-MT, com trocas de farpas sobre a criação de APAs no estado.
O debate promovido pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) com os postulantes ao Governo do Estado, realizado nesta quinta-feira (20), teve um início tenso. O encontro, intitulado Agricultura em Pauta: Propostas para Mato Grosso , foi palco de um confronto direto entre o senador Wellington Fagundes (PL) e o atual governador e candidato à reeleição, Otaviano Pivetta (Republicanos), especialmente no que tange à implementação de Áreas de Proteção Ambiental (APAs).
Logo no primeiro bloco, dedicado ao tema Ambiental e Fundiário , os candidatos foram questionados sobre como pretendem transformar o Cadastro Ambiental Rural (CAR) em um mecanismo mais eficiente, que garanta segurança jurídica e previsibilidade aos produtores rurais. Pivetta afirmou que o governo estadual tem se empenhado na desburocratização dos processos e prometeu implementar o sistema CAR 2.0 para otimizar a gestão.
O candidato Sargento Laudicério (AGIR) também participou da discussão, enfatizando a necessidade urgente de maior segurança jurídica para o setor. Em complemento, o governador destacou que a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) tem investido em tecnologia e descentralizado as ações por meio de parcerias com prefeituras e consórcios intermunicipais.
A tensão aumentou durante o questionamento sobre os conflitos fundiários gerados pela criação de APAs sobre áreas produtivas. A candidata Natasha Slhessarenko (PSD) argumentou que, quando o próprio Estado impõe restrições dentro de uma APA, a responsabilidade não deve recair exclusivamente sobre o produtor. Para ela, é necessário revisar cada uma dessas áreas para ajustar as normas, defendendo que o produtor não pode arcar com o prejuízo sem a devida indenização.
Wellington Fagundes aproveitou o ensejo para criticar a gestão atual, alegando que, nos últimos sete anos, a administração da Sema criou APAs que prejudicaram significativamente os agricultores. A declaração gerou uma reação imediata de Pivetta, que negou a criação de novas unidades de conservação sob sua gestão e buscou rebater as críticas do senador.
O debate seguiu com o tema da rastreabilidade da produção. Questionados sobre como avançar nesse quesito sem que exigências internacionais resultem em restrições generalizadas, Wellington defendeu a importância da rastreabilidade tanto para o mercado interno quanto para o externo, citando como exemplos positivos os protocolos já exigidos para a exportação de ouro e vacinas.
Durante a réplica sobre as APAs, Pivetta insistiu em repor a verdade , reiterando que sua gestão não promoveu a criação dessas áreas, enquanto Wellington reforçou a necessidade de ouvir as demandas dos produtores que se sentem afetados pelas políticas ambientais vigentes.
O presidente da Aprosoja-MT, Lucas Beber, destacou a relevância da iniciativa para estabelecer um diálogo direto entre o setor produtivo e os candidatos. Segundo ele, o evento foi estruturado para ser isento e apartidário, garantindo igualdade de condições a todos os participantes, independentemente de sua posição nas pesquisas eleitorais.
Ao final da sabatina, os candidatos receberam um documento contendo as principais reivindicações do agronegócio mato-grossense. Beber ressaltou que a entidade respeita rigorosamente as normas da legislação eleitoral, focando em promover um espaço de debate propositivo para o futuro do estado.
Fonte: rdnews.com.br