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TRE-MT implementa tecnologia para blindar vozes de candidato

O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso oferece aos candidatos uma ferramenta de proteção contra a clonagem de voz por inteligência artificial.

O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso oferece aos candidatos uma ferramenta de proteção contra a clonagem de voz por inteligência artificial.

O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) disponibilizou uma nova solução tecnológica voltada a proteger candidatos ao governo contra a clonagem de voz realizada por meio de inteligência artificial (IA). A iniciativa visa impedir que a tecnologia seja empregada para gerar conteúdos falsos, como áudios que simulam declarações que nunca foram proferidas pelos postulantes aos cargos eletivos.

Leon Santos, secretário de Tecnologia da Informação do órgão, explicou que a inovação é fruto de uma parceria estratégica com a empresa ElevenLabs. O objetivo central é estabelecer mecanismos preventivos diante dos desafios impostos pelo uso indevido de IA durante o pleito eleitoral. Segundo o secretário, ao realizar o registro da voz, o sistema da empresa passa a bloquear qualquer tentativa de síntese que utilize aquele timbre específico.

O procedimento funciona como uma barreira de segurança: uma vez que o candidato fornece a amostra de sua voz, a plataforma impede que o recurso seja utilizado para a criação de áudios fraudulentos. Embora a adesão seja facultativa, o TRE-MT está convidando os candidatos ao governo a utilizarem o recurso. Leon Santos ressaltou que, embora não seja uma proteção absoluta contra todos os sistemas de IA existentes, a medida blinda o candidato em um dos principais players do mercado de síntese de voz.

A presidente do TRE-MT, desembargadora Serly Marcondes Alves, já confirmou que irá aderir à ferramenta. Para a magistrada, embora a inteligência artificial traga avanços, é imperativo adotar medidas que evitem a confusão do eleitorado e a atribuição indevida de falas a terceiros. A desembargadora reforçou que a tecnologia exige cautela para garantir a integridade do processo democrático.

O projeto integra as vozes de ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), presidentes de Tribunais Regionais Eleitorais e candidatos aos cargos majoritários — Presidência, governos estaduais e Distrito Federal — em uma lista denominada No-Go Voices , ou "Vozes Protegidas". Na prática, essa listagem impede que os serviços da ElevenLabs realizem a reprodução sintética ou a clonagem dos perfis cadastrados.

Para participar do programa, os interessados devem submeter uma amostra de voz que atenda aos critérios técnicos exigidos pela plataforma. A partir desse material, a empresa consegue identificar o padrão vocal e aplicar o bloqueio preventivo em seus sistemas, dificultando a disseminação de desinformação e a falsificação de identidade digital.

O assessor de Comunicação do TRE-MT, Daniel Dino, destacou que a estratégia foca na antecipação aos problemas. De acordo com Dino, o tribunal não deve apenas reagir à desinformação após sua circulação, mas sim utilizar instrumentos tecnológicos para mitigar riscos antes que o conteúdo falso seja produzido e disseminado nas redes.

Vale ressaltar que a ferramenta não substitui os meios jurídicos tradicionais. O secretário Leon Santos pontuou que o caminho para questionar eventuais deepfakes continua sendo a proposição de ações judiciais. A nova tecnologia atua, portanto, como um complemento ao leque de medidas preventivas que a Justiça Eleitoral tem adotado para assegurar a lisura das eleições de 2026. Em Mato Grosso, a coordenação da iniciativa está sob responsabilidade da Assessoria de Comunicação Social do TRE-MT.

Fonte: rdnews.com.br